O pós oficina: o uso das redes sociais…


Em mais uma oficina de debates, o PEP-Rohm discutiu os dilemas e as questões que envolvem o uso massivo e o controle das redes sociais, em encontro mediado por Felipe Tinoco e Vitor Cardoso. Diante das discussões recentes que tomaram as próprias redes e todo cenário político em diversos países, diferentes facetas sobre a temática das redes foram abordadas no debate, que ainda passeou pelos três eixos-temáticos do grupo de pesquisa, que são: governança social, liderança transformadora e desenvolvimento humano.

Em primeiro bloco de conversa, discutiu-se a influência das redes sobre o espaço público, com sua interferência em diferentes searas da opinião pública. Foram comentadas as externalidades de notícias falsas em diversas eleições e na formação de pensamento das pessoas, reforçando aspectos em que elas mesmas querem crer, fortificando vieses e limitando sua perspectiva, e como tais externalidades podem dificultar nosso convívio social, destruir reputações e polarizar o mundo. Com efeitos semelhantes, os algoritmos que instauram bolhas de “convivência” digital, negando o espaço à pluralidade de perspectiva e de discussão, também foram comentados de forma crítica, tal como o uso das redes como potencial espaço para constante repetição de discurso de ódio mediante uma sensação de impunidade e de coragem potencializada pelos avatares que escondem nossa identidade e atrapalham nosso desenvolvimento humano.

Posteriormente, também foram debatidos os aspectos de interferência das redes sociais mais associados ao cotidiano e à subjetividade das pessoas usuárias. Em um uso massivo, principalmente das gerações mais jovens, as redes acabam ocupando um grande espaço de tempo do dia a dia, fazendo com que exista uma ausência de períodos para reflexão, para o silêncio e, por conseguinte, para o desenvolvimento, para a formulação do pensamento crítico – além dos estímulos contínuos, que potencializam a ansiedade. O reforço aos padrões normativos foi observado no que tange às imposições irreais estéticas e comportamentais as quais a rede corrobora.

À frente de um contexto complexo, com tantas externalidades e consequências em aspectos macro e micropolíticos, o uso desmedido e a concentração de poder que grandes companhias possuem graças as redes sociais faz com que seja imprescindível trazer esse debate à tona. Com a nebulosidade dos algoritmos, a positividade do like e o (des)controle sobre as estruturas sociais conectantes, os desafios aos futuros gestores e à sociedade como um todo estão postos sobre a mesa. O que faremos para agir como lideranças transformadoras, preocupadas com a forma com que a sociedade participa dos processos de tomada de decisão nas esferas públicas e privadas, transformando a sociedade de forma diversa?

Parece que não há luz no fim do túnel quando existe a intenção de diminuir ou abandonar o uso das redes sociais e seus efeitos nocivos na vida humana. Pois há de se ter ações práticas para lidarmos melhor com esse desafio: um dia inteiro na semana sem o uso do celular, pesquisas de tópicos conflitantes com nossas crenças para confundir os algoritmos, bem como o uso das redes para divulgação de lutas sociais e empoderamento de minorias. Como inspiração, Mestre Rohm.

*texto escrito em colaboração por Felipe Tinoco e Vitor Pereira

Compartilhar


Postado por


Inspiração para o comentário:
Lembre-se de que você veio aqui, porque compreendeu a necessidade de lutar contra si mesmo. Agradeça, portanto, a quem lhe proporcione a ocasião para isso.
Gurdjieff
Você pode alterar sua foto de perfil no Gravatar ou fazer login.

1 comentário em “O pós oficina: o uso das redes sociais…”

  1. Tino e Vitor,
    a partir dessa oficina, percebo como a transparência deve ser estimulada no posicionamento dos serviços de internet. Os direitos do indivíduo quanto a compreensão de seus dados nas mídias é importante porque não se sabe o quanto mais precisaremos deles. Se o indivíduo já não é o único afetado negativamente por uma ação irresponsável das mídias sociais, mesmo que não se participe delas, depreende-se que a qualidade de vida de todos está sendo decrescida continuamente, e a merecida ausência individual em determinado serviço não facilita a vida de nossos conhecidos.
    O devido conhecimento e estímulo das soluções, que muitas vezes existem em código aberto, oferecem gratuitamente serviços de qualidade e ausentes de rastreadores, solucionando uma parte central do problema. Divulgar as soluções não deverá ser, portanto, uma mediação de gosto, mas uma singela, efetiva ação com a qual podemos assistir essa questão com diligência.
    Obrigado pela oficina 😘

    Responder

Deixe um comentário